ENSAIO SOBRE A POLÍTICA COM ÊNFASE NAS APARÊNCIAS
Zuleido Veras, o Mazzaropi
Lembro de quando assisti A queda: as últimas horas de Hitler. Pessoas cochichavam no busão sobre a semelhança entre o ator principal, o suíço Bruno Ganz, e aquele cara meio cheiradão chamado Adolf Hitler. Nos elevadores corporativos e nos fumódromos da Berrini, então, era a coqueluche: "Você viu como o Bruno Ganz se parece com o Hitler!? Absurdo! Absurdo!". Banheiros públicos do Largo do Arouche continham longas pichações sobre a tal semelhança. Em Engenheiro Marsilac, um amigo comprou pipocas de um pipoqueiro, que disse a ele, enquanto lhe passava o molho: "Acabaram com o Bruno Ganz! Acabaram com o Bruno Ganz! Nunca mais vai se livrar da pecha!".
Pois confesso que vi o filme e nem achei Bruno Ganz tão parecido com Hitler assim. Estava mais para Mazzaropi do que para o ditador alemão. Porém, uns meses depois, muito por acaso, vi um filme italiano em que ele fazia papel de garçom. Pão e Tulipas é o nome, que, posteriormente, fui descobrir ter uma legião de fãs espalhados por aí (eu recomendo. É daqueles filmes que fazem a gente ainda acreditar nas pequenas coisas da humanidade). E foi batata: Bruno Ganz entrou em cena para eu logo apontar: "Olha o Hitler fazendo bico de garçom aí". E o filme passava, a trama se desenrolava, e eu lá, sem saber o nome do personagem, apenas identificando-o como o maitre Adolfo.
Pois bem, pensei em todo este episódio ao ver as fotos deste último lançamento blockbuster da Polícia Federal. Digo blockbuster porque as operações da Polícia Federal me lembram uma invasão hollywoodiana ao Vietnã. Só falta aparecer o Stallone com o jaleco da PF, com aquele olhar de glória e cobiça, a dizer para a câmera: "Zuleidão: você é a doença. Eu sou a cura" - e que conste: isso não é uma crítica. A PF funciona mesmo e isso é bom.
E era justamente do Zuleidão, o corrupto do momento, que eu queria falar. Por dois motivos: primeiro, porque ele é a cara do Mazzaropi e, conseqüentemente, lembra o Bruno Ganz interpretando Hitler. Segundo, para constatar que os vilões destas crises que envolvem Polícia Federal, empresários, políticos corruptos e CPI´s sempre têm caras e nomes estranhos. É sim, repara só.
O primeiro deles foi o Waldomiro Diniz, o menos diferente de todos. O nome Waldomiro é quase simpático até. Lembra aqueles tios que possuem Kombis para levar a criançada à escola ("Volte às aulas feliz na Toppic do Tio Waldomiro Diniz"). O que estragava eram as marcas de espinha na cara dele, o que certamente lhe tiraria votos caso se candidatasse a algo.
Depois veio o Marcos Valério, o Kojak de Varginha. Talvez a grande glória de minha vida foi quando Marcos Valério criou um blog para se defender das acusações de então. Durou umas duas horas apenas, mas, neste período, deixei um comentário que dizia algo como "E aí, Valerião, conta um pouco pra gente do tempo em que você era cabeludo". Pelo menos eu era o único que não xingava o rapaz só porque ele controlava um baita esquema de caixa 2, coitado.
E ainda tinha o Delúbio Soares, os piores dentes da história da corrupção brasileira. Não sei se era excesso de charuto, talvez algum dentista possa dar o diagnóstico preciso. O fato é que, ao ver um Land Rover passando na rua ou a descoberta da arcada dentário de uma múmia fenícia nos jornais, logo lembro do sorriso do Delúbio Soares.
É por isso que eu digo que cara e o sorriso são tudo nessa vida. É por isso que, se as eleições fossem hoje, meu voto iria para José Serra.
Zuleido Veras, o Mazzaropi
Lembro de quando assisti A queda: as últimas horas de Hitler. Pessoas cochichavam no busão sobre a semelhança entre o ator principal, o suíço Bruno Ganz, e aquele cara meio cheiradão chamado Adolf Hitler. Nos elevadores corporativos e nos fumódromos da Berrini, então, era a coqueluche: "Você viu como o Bruno Ganz se parece com o Hitler!? Absurdo! Absurdo!". Banheiros públicos do Largo do Arouche continham longas pichações sobre a tal semelhança. Em Engenheiro Marsilac, um amigo comprou pipocas de um pipoqueiro, que disse a ele, enquanto lhe passava o molho: "Acabaram com o Bruno Ganz! Acabaram com o Bruno Ganz! Nunca mais vai se livrar da pecha!".
Pois confesso que vi o filme e nem achei Bruno Ganz tão parecido com Hitler assim. Estava mais para Mazzaropi do que para o ditador alemão. Porém, uns meses depois, muito por acaso, vi um filme italiano em que ele fazia papel de garçom. Pão e Tulipas é o nome, que, posteriormente, fui descobrir ter uma legião de fãs espalhados por aí (eu recomendo. É daqueles filmes que fazem a gente ainda acreditar nas pequenas coisas da humanidade). E foi batata: Bruno Ganz entrou em cena para eu logo apontar: "Olha o Hitler fazendo bico de garçom aí". E o filme passava, a trama se desenrolava, e eu lá, sem saber o nome do personagem, apenas identificando-o como o maitre Adolfo.
Pois bem, pensei em todo este episódio ao ver as fotos deste último lançamento blockbuster da Polícia Federal. Digo blockbuster porque as operações da Polícia Federal me lembram uma invasão hollywoodiana ao Vietnã. Só falta aparecer o Stallone com o jaleco da PF, com aquele olhar de glória e cobiça, a dizer para a câmera: "Zuleidão: você é a doença. Eu sou a cura" - e que conste: isso não é uma crítica. A PF funciona mesmo e isso é bom.
E era justamente do Zuleidão, o corrupto do momento, que eu queria falar. Por dois motivos: primeiro, porque ele é a cara do Mazzaropi e, conseqüentemente, lembra o Bruno Ganz interpretando Hitler. Segundo, para constatar que os vilões destas crises que envolvem Polícia Federal, empresários, políticos corruptos e CPI´s sempre têm caras e nomes estranhos. É sim, repara só.
O primeiro deles foi o Waldomiro Diniz, o menos diferente de todos. O nome Waldomiro é quase simpático até. Lembra aqueles tios que possuem Kombis para levar a criançada à escola ("Volte às aulas feliz na Toppic do Tio Waldomiro Diniz"). O que estragava eram as marcas de espinha na cara dele, o que certamente lhe tiraria votos caso se candidatasse a algo.
Depois veio o Marcos Valério, o Kojak de Varginha. Talvez a grande glória de minha vida foi quando Marcos Valério criou um blog para se defender das acusações de então. Durou umas duas horas apenas, mas, neste período, deixei um comentário que dizia algo como "E aí, Valerião, conta um pouco pra gente do tempo em que você era cabeludo". Pelo menos eu era o único que não xingava o rapaz só porque ele controlava um baita esquema de caixa 2, coitado.
E ainda tinha o Delúbio Soares, os piores dentes da história da corrupção brasileira. Não sei se era excesso de charuto, talvez algum dentista possa dar o diagnóstico preciso. O fato é que, ao ver um Land Rover passando na rua ou a descoberta da arcada dentário de uma múmia fenícia nos jornais, logo lembro do sorriso do Delúbio Soares.
É por isso que eu digo que cara e o sorriso são tudo nessa vida. É por isso que, se as eleições fossem hoje, meu voto iria para José Serra.
