Aí você chega no bar com os amigos que você não vê há séculos e passa 90% do tempo respondendo sobre.... futebol. Ah, esse estapafúrdio costume de ser solícito. Eis quando você repara naquela moça que pouco fala com você levantando os olhos como se dissesse "Mas que cara chato esse, que só fala de futebol", enquanto outro sujeito com nariz de fuinha que você pouco viu na vida fica indignado porque não sabia que o Tcheco voltou para o Al Itthad da Arábia Saudita, você não sabia? Como não? Você trabalha com isso, tem que saber, porra!
Aí você se dá conta do quanto começa a se tornar uma pessoa desinteressante porque não é associado a nada além do maldito ludopédio que não entrou para a História como ludopédio e sim como futebol. E no domingo à noite, enfim, aquelas poucas horas de paz que você reserva exclusivamente para se trancar solitariamente numa sala de cinema por duas horas e sair mais leve com a cabeça em Plutão, ou então ler metade daquele livro que você pretendia ler em 10 dias e que não consegue terminar há um mês porque o que resta de você ao fim do dia não consegue fazê-lo. É quando você é cobrado por não estar em casa assistindo o Avallone com seu cabelo acaju narrar o Gol Ypioca da semana e todas as outras discussões sobre os intermináveis pênaltis que os juízes ladrões não deram, os zagueiros burros que marcam a bola em vez de marcar o adversário e o presidente do Atlético Paranaense que tomou outra suspensão porque é um boçal que só fala bosta assim como você que não está assistindo isso, como não, você trabalha com isso, tem que assistir, porra!
Vamos para o Lelis? Vamos ao La Buca? E o Caio Tulio, hein? Arlequinal! O brasileiro morre de fome gritando gol. Eu continuo sem fome apertando o foda-se.
(***adendo importante: ninguém do contexto acima lê este blog ou faz idéia que ele exista. Blog não foi feito para mandar indireta para quem o lê. Nunca fiz isso, não é agora que eu vou fazer isso. Qualquer semelhança com leitores habituais deste blog é mera coincidência)
